Com o objetivo de evitar a contaminação pelo novo Coronavírus, diversas cidades ao redor do mundo retomaram a comercialização e distribuição de itens plásticos descartáveis. No início deste mês foi suspensa em São Paulo a lei que proíbe o fornecimento de copos e talheres descartáveis de uso único. A suspensão foi adotada para manter pacientes e funcionários de hospitais e unidades básicas de saúde livres do risco de contágio. Essas mudanças de prioridade dentro da pandemia fizeram a sociedade repensar sobre as vantagens do plástico e o valor que ele agrega na vida diária. O plástico garante nossa segurança hospitalar e alimentar, facilita o transporte de cargas e ajuda a manter a higiene dos produtos.

O Plástico na prevenção do Coronavírus

O Plástico na prevenção do Coronavírus

De acordo com a Dra. Daniella Costa de Menezes e Goncalves, médica Infectologista do Instituto Zilberstein, a suspensão da lei faz sentido já que o uso de produtos descartáveis é um aliado importante na prevenção da COVID-19. “O uso, assim como o descarte correto desse tipo de produto, são importantes estratégias na prevenção da disseminação de diversas doenças infectocontagiosas, principalmente naquelas transmitidas por gotículas”, explica a médica.

No âmbito internacional, uma mudança significativa em relação ao uso do plástico também está ocorrendo. Nos EUA duas grandes cadeias de café, a Starbucks e a Dunkin’ Donuts aboliram o uso de copos retornáveis durante a pandemia. Supermercados americanos também estão pedindo que as pessoas não levem suas sacolas retornáveis para evitar a contaminação.

Doações de descartáveis ajudam no combate a pandemia

Governantes começaram a pedir doações para empresas do setor de plásticos para garantir que a sociedade tenha acesso a artigos essenciais durante o combate à propagação da COVID-19. Essas indústrias são as responsáveis pela produção de itens importantes como peças de proteção médico-hospitalar, copos, talheres e pratos descartáveis usados em hospitais e instituições públicas, embalagens para alimentos, materiais de higiene e limpeza entre outros. Essas indústrias fazem um trabalho conjunto e colaborativo com o Estado nesse momento. O objetivo é demonstrar apoio a população brasileira nesse momento tão difícil.

Demanda por produtos embalados dispara

Os gastos com embalagens de produtos alimentícios estão aumentando no mundo todo. O impacto disso é um salto na demanda por plásticos em meio à pandemia. Os gastos dos consumidores com alimentos embalados aumentaram em meio à crise do Coronavírus na Itália, França e Reino Unido de acordo com estudo feito pelo Information Resources Inc. (IRI) POS Data Week .

Durante a crise as pessoas começaram a perceber o papel que todo tipo de embalagem plástica desempenha em termos de mantê-las seguras e garantir a higiene para o consumo e transporte de alimentos. Os alimentos embrulhados em plástico também evitam o desperdício de alimentos.

A expansão do delivery

No novo contexto de isolamento os restaurantes tiveram que se adaptar para continuar vendendo.  Os clientes têm agora duas opções para solicitar produtos:  pedir a comida para retirar no local ou o restaurante entregar direto na casa do cliente pelo sistema de delivery. Para levar o pedido existe a necessidade de utilizar embalagens específicas para preservar o alimento. Já o delivery atende as pessoas que não desejam ou não podem sair de casa para comer e precisa usar as embalagens descartáveis para atender os clientes. Essa mudança no comportamento de compra dos brasileiros já mostra uma diferença significativa no mercado brasileiro.

Mais descartáveis dentro das casas

Desde que surgiu, o novo Coronavírus aumentou a preocupação das pessoas com a segurança também dentro de casa. Principalmente aqueles que convivem com pessoas do grupo de risco no mesmo ambiente, podem usar a descartabilidade e a higiene dos plásticos de uso único para minimizar o risco de contaminação. A tendência é que as pessoas façam uso de copos, pratos e talheres descartáveis. 

Reciclagem garante uso consciente do plástico

O plástico tem muito a nos oferecer, mas para garantir que não existam consequências ambientais é necessário pensar no que faremos para garantir o descarte correto dos resíduos e fazer com que a economia continue a circular.

Embora os especialistas médicos recomendem o uso de máscaras cirúrgicas, o descarte descuidado das máscaras já deixa um rastro de poluição nas praias e trilhas de Hong Kong. A reciclagem é solução para que nossos ecossistemas sejam conservados sem termos de renunciar ao uso de itens essenciais descartáveis.

A importância das políticas públicas

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) de um total de 76,8 milhões de toneladas geradas anualmente, apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são reciclados. E mesmo esse pequeno volume só é reciclado pelo esforço de catadores. Os números demonstram que o país não avançou no modelo de aproveitamento dos resíduos gerados. Faltam leis de incentivo para a reciclagem, incentivos fiscais para que empresas façam esse reaproveitamento de resíduos e programas para a educação da população com relação a reciclagem. E, acima de tudo, falta interesse governamental em resolver a questão e apoio do poder público.