As mudanças de curto prazo em nome da saúde pública podem afetar o comportamento do consumidor definitivamente.

Nosso comportamento mudou de acordo com o avanço do Coronavírus. Passamos a nos deslocar muito menos durante a pandemia e em muitas partes do mundo as fronteiras foram fechadas. Os aeroportos estão com voos limitados, muitos hotéis e empresas estão fechados e as aulas nas escolas foram suspensas. A higiene passou a ser a principal preocupação das pessoas. A saúde de todos passou a depender da prevenção para evitar um possível contágio da COVID-19.

Enquanto o mundo aguarda ansioso o surgimento de uma vacina comprovada que nos permita retornar às nossas rotinas diárias, os hábitos de compra do consumidor estão mudando. Alguns observadores acreditam que o Coronavírus já forçou as empresas a investir em tecnologias de varejo autônomas e que essa nova forma de comprar pode continuar popular entre os consumidores, mesmo após o fim da pandemia.

Os novos protocolos de higiene

Os hábitos de limpeza e higiene se tornaram prioridade para garantir a saúde e a segurança das pessoas. Em casa, na rua e no trabalho as pessoas procuram lavar as mãos com água e sabão, tentam evitar tocar a boca, o nariz e os olhos e usam álcool em gel 70% para a higiene das superfícies e mãos (quando não é possível lavar). O uso de máscaras passou a ser recomendado sempre que necessário sair de casa, bem como a higienização desse equipamento.

Os descartáveis passaram a ser a melhor alternativa

A disseminação da COVID-19 exigiu que muitas iniciativas de sustentabilidade e redução de resíduos fossem suspensas. Copos retornáveis já não são permitidos em algumas redes e o uso de sacolas reutilizáveis passou a não ser mais incentivado já que agora a maior preocupação de todos é evitar a disseminação do vírus. Algumas cidades estão até revertendo as proibições de sacolas plásticas existentes.

Os descartáveis voltaram como alternativa melhor do que superfícies porosas ou fibrosas, como papelão ou tecido, para garantir a higiene e evitar que o vírus se espalhe.  O material descartável não precisa ser desinfetado após o uso e passou a ser importante na pandemia. Nesse momento é essencial não compartilhar copos, talheres e outros objetos pessoais.

Também houve um aumento no uso de descartáveis em hospitais. Aumentou a demanda por partes descartáveis de equipamentos médicos, equipamentos de proteção individual como máscaras e luvas. A versatilidade, resistência, leveza, durabilidade e alta capacidade de reciclagem do plástico faz dele um grande aliado na luta contra a COVID-19.

O aumento das compras pela internet e das entregas em casa

Houve um aumento nas entregas de pedidos on-line em todas as categorias.  Um estudo feito pela TracyLocke Brasil mostrou que 37,6% dos entrevistados comprou algum item pela internet entre os dias 12 e 20 de março. Entre os campeões de vendas estão a comida por delivery (41,4%), seguida da compra de remédio (20,3%).

Esse aumento nos números de pedidos do sistema delivery impacta também a demanda por embalagens individuais e produtos descartáveis serem usados no envio destes produtos. O efeito dessa mudança de padrão de consumo pode permanecer quando a pandemia acabar.

Os alimentos embrulhados em plástico são mais seguros

A demanda por embalagens deve aumentar porque é esperado que os consumidores escolham os alimentos embalados em plástico por questões de higiene e facilidade em usar produtos de limpeza nessas embalagens. Segundo pesquisa da BloombergNEF, os consumidores tendem a ver os alimentos embalados como sendo mais limpos e seguros para consumo.  É importante lembrar que todas essas embalagens podem e devem ser recicladas.

Planeta Vivo: a verdade sobre a reciclagem

Infelizmente no Brasil não existe interesse público pela reciclagem do plástico. Apesar de ser um material ideal para ser reaproveitado, é necessário fazer o descarte correto e a reciclagem desses resíduos. Das 76,8 milhões de toneladas de lixo geradas anualmente, apenas 3% dos resíduos sólidos urbanos no Brasil são reciclados (Fonte: Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Estes números demonstram a falta de interesse governamental em fazer o reaproveitamento desses resíduos.

Segundo um estudo da World Wildlife Fund (WWF) o Brasil produz 11,3 toneladas por ano de lixo plástico, das quais somente 1,28% são recicladas. Esse número está bem abaixo da média mundial de reciclagem, que é de 9%.  Existe um desinteresse político pelo tema devido ao plástico ser um material que não apresenta retorno econômico. Se o valor pago pelas embalagens usadas é baixo, falta motivação para a separação desse material. É preciso haver um incentivo para que as indústrias que atuam nessa área consumam o material reciclado. Atualmente os impostos brasileiros taxam mais a matéria-prima reciclada do que a virgem e isso acaba encarecendo o produto.